terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Reunião de 11 de Dezembro de 2015

A. Antes da ordem de trabalhos:

A convite do Presidente do CG, esteve presente durante a primeira parte desta reunião o Presidente do Conselho de Curadores, Dr. Miguel Cadilhe, que no final da sua presença na reunião dirigiu de improviso uma alocução ao CG sobre o papel na UP do Conselho de Curadores, sublinhando o seu caráter de órgão independente, mas colaborante com os outros órgãos de governo da Universidade.

O Presidente do CG referiu a honra para a UP que advém do Prof. Doutor Manuel Sobrinho-Simões ter sido eleito como o patologista mais influente do mundo pela revista “The Pathologist”; a atribuição do galardão mereceu um unânime voto louvor ao Prof. Doutor Manuel Sobrinho-Simões por parte dos membros do CG.

Na reunião do passado dia de 9 de outubro, o Presidente do CG trouxe ao CG a sua descoberta de que o Estado nunca cumpriu o contrato-programa plurianual (2010-2015) em que se obrigava a financiar a UP em 100 milhões de euros em troca do cumprimento de objetivos concretos. Essa falta do cumprimento desta obrigação do Estado não fora contestada pelo anterior ou atual Reitor. Na reunião de 9 de outubro o CG aprovou por unanimidade uma recomendação a enviar ao Conselho de Curadores (o órgão interlocutor entre UP e Governo) para procedimento adequado. Entretanto, o Presidente do CG deu conhecimento de que iria enviar uma exposição escrita sobre o assunto ao Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Esse documento pode ser lida aqui:

1.1.  Integração na UP dos institutos de investigação prevista no art.º 11 do DL nº 96/2009 de 27 de Abril.

O Presidente do CG tomou a iniciativa de recordar que está legalmente prevista uma futura integração na UP dos Institutos de Investigação, pelo que considerou pertinente que o CG se venha a debruçar sobre o modo como isso se fará. Vários membros do CG se pronunciaram sobre a questão. O Reitor considerou que relação atual entre UP e Institutos de Investigação se deve manter, ou seja, a UP é apenas um entre os múltiplos membros de cada uma das Associações que foram constituídas para dar substrato legal aos Institutos de Investigação. No que respeita à partilha de recursos, o Reitor defendeu que a relação entre a UP e os Institutos de Investigação deve ser feita de acordo com o artigo 60º dos estatutos da UP, a saber:
Artigo 60.º, Cedência de recursos
Entre a Universidade do Porto e as estruturas de investigação e desenvolvimento
de que a Universidade seja associada, são estabelecidos protocolos dos quais devem constar, nomeadamente:
a) Os recursos humanos e materiais cedidos pela Universidade com vista ao funcionamento dos organismos de investigação;
b) As compensações recebidas pela Universidade do Porto como contrapartida da cedência dos recursos;
c) A entrega anual, às respetivas unidades orgânicas, dos conteúdos de um plano de
atividades e orçamento e do relatório de atividades e contas referentes à fração das suas atividades da responsabilidade dos docentes e investigadores cedidos pela Universidade do Porto.
O ponto de vista do Reitor recebeu o apoio implícito da generalidade dos membros do CG.

1.2.  Mecanismos de autoavaliação regular da U.P. (art.º 28 nº 2 o) dos Est./UP).
O Reitor informou que foram desencadeados, por decisão da Reitoria no início do mandato, processos de autoavaliação de mais de 70 cursos das várias Faculdades da UP. [Adenda pessoal: estes processos de autoavaliação implicam o preenchimento, em português e inglês, de longos formulários elaborados pela A3ES, e têm constituído, pelo menos no ICBAS, uma significativa sobrecarga de trabalho burocrático para os docentes e pessoal administrativo]. O Reitor comunicou que este processo de autoavaliação está em bom andamento e, em boa parte dos casos, próximo da conclusão da primeira fase.

1.3.  Processo de Eleição dos Membros do Conselho Geral Representantes dos Estudantes.
O Presidente do CG pediu aos representantes dos estudantes no CG informações sobre como estavam a ser organizadas estas eleições na Academia, incluindo a da escolha dos representantes dos estudantes no CG. O Presidente da FAP, Daniel Freitas, informou que eleições que deviam ser em fevereiro vão ser atrasadas para abril/maio. Vários membros do CG lastimaram a baixíssima percentagem de estudantes que participam habitualmente na eleição dos seus representantes e incentivaram os membros da FAP presentes no CG para que seja feito maior esforço juntos dos estudantes da UP para que participem mais ativamente nos atos eleitorais em que escolhem os seus representantes.

1.4.  Calendário das reuniões do CG para o ano 2016.
Foram aprovadas as seguintes datas para reuniões ordinárias do CG em 2016: 11 de março, 17 de junho, 14 de outubro e 9 de dezembro.

2.        Reitor: Assuntos gerais sobre atividade:
Adaptação dos Estatutos das Faculdades aos novos Estatutos da UP. O processo está a decorrer a ritmo diverso nas várias Escolas, desde Faculdades que já fizeram a publicação dos seus Estatutos revistos até outras que ainda não iniciaram o processo. O Reitor tem estado atento ao assunto e tem pedido informações sobre ele às várias Escolas.
Assinado acordo com a FEUP sobre os Museus da UP. Foi assinado acordo entre a Reitoria e o diretor da FEUP sobre este assunto.
Adjudicada da exploração da Casa Primo Madeira à Ibersol. Os edifícios e jardins (com autorização para instalação de tenda) que constituíam o antigo Circulo Universitário do Porto foram atribuídos para exploração pela empresa Ibersol (bem presente em áreas de serviço das autoestradas). Passará a chamar-se Clube Universitário do Porto, estará aberto ao público em geral, e fará um pequeno desconto aos funcionários da UP. A UP fica com acesso a uma “bolsa de espaço”, ou seja com possibilidade de ocupar alguns dos quartos dos dois edifícios para reuniões.
Casa de Pernambuco. A aprovação pelo CG da cedência dos direitos de superfície por 50 anos do terreno onde está construída a Casa de Pernambuco irá permitir que a Associação Casa de Pernambuco, presidida pelo benemérito luso-brasileiro, Sr. Zeferino Ferreira Costa, que custeou a maior parte da construção da Casa do Pernambuco, inicie em breve a reabilitação de um edifício que depois de construído esteve abandonado mais de uma década. Para assinalar a ressurreição da Casa de Pernambuco, o Sr. Zeferino Ferreira Costa desloca-se do Brasil para estar presente numa visita à Casa de Pernambuco no próximo dia 18 de dezembro ao fim da manhã, visita para a qual estão convidadas várias entidades.
Financiamento da Investigação na UP em 2016. Através da parceria com a Universidade do Minho e a UTAD, consagrada no consórcio U.Norte, a UP elaborou candidaturas em múltiplas áreas da ciência as quais foram submetidas à Comissão de Coordenação da Região Norte, a qual irá distribuir fundos para desenvolvimento regional que lhe foram atribuídos pela Comissão Europeia. O Reitor manifestou a sua legítima esperança de que dessas candidaturas resulte um forte financiamento, já em 2016, da investigação a realizar nas universidades que fazem parte da U.Norte.

2.1. Plano Estratégico da UP 2016-2020.
O Reitor comunicou que o Plano Estratégico da UP 2016-2010, da sua responsabilidade, se encontrou em discussão dentro da UP desde setembro. A sua versão final, que inclui sugestões que foram enviadas durante esse período de discussão, já foi fixada e foi enviada ao Senado. Alguns membros do CG solicitaram que essa versão final também fosse enviada ao CG.

3.        Prof. Doutor Artur Águas:
3.1. “Questões propostas ao Senhor Reitor para a reunião do CG de 11 de dezembro de 2015”.
1. Pediu o Reitor ao Governo para que seja cumprido o contrato de financiamento plurianual previsto no contrato assinado quando a UP passou a Fundação?
O Reitor associou-se ao pedido feito por escrito pelo Presidente do CG ao Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (citado acima).
2. Quantos protocolos (consórcios, acordos, etc) já assinou o Reitor desde que tomou posse? Quais foram os benefícios concretos desses acordos para UP durante o último ano?
Estão assinados 62 protocolos, mais 20 estão em processo de assinatura e cerca de 120 estão em preparação. A UP obteve cerca de 5 milhões de euros para encabeçar a gestão de vários destes protocolos de cooperação em que participa. O Presidente do CG solicitou ao Reitor que apresentasse ao CG uma lista completa destes protocolos, indicando aqueles que não se encontram ativos ou não conduziram a qualquer ação nos últimos cinco anos.
3. Qual o financiamento anual do I3S atribuído pela Reitoria?
Zero. A UP não financia o I3S.
4. Quando receberá o CG o plano de pormenor do Museu da UP?
Foi nomeado um conselho para acompanhar a criação dos novos museus da UP. É a ele que devem ser prestadas esclarecimentos. Não está prevista qualquer apresentação ao CG sobre os futuros museus até à sua inauguração.
5. Está o Reitor disponível para financiar apoio técnico de natureza financeira para assessorar independentemente a Comissão de Finanças e Orçamento do CG ?
A Reitoria tem nos seus quadros especialistas financeiros que põe à disposição da Comissão. Mesmo assim a Reitoria está disponível para considerar propostas do CG para pagamento de assessoria financeira independente.
6. Quais as inovações introduzidas pelo Reitor na UP até ao momento?
O Reitor considerou que seria incorreto ser ele próprio a falar das inovações por si introduzidas. Sugeriu a leitura do seu programa e dos seus planos anuais e estratégicos.

Para além das questões atrás citadas, por mim enviadas com duas semanas de antecedência em relação à data da reunião, pedi ao Presidente do CG para fazer a seguinte pergunta adicional ao Reitor:
Considera correto, tal com vem em notícia recente do JN, que os Serviços Sociais da UP (SASUP) gastem dinheiro a restaurar um espaço degradado para criar um restaurante com refeições a cerca de 10€ para profissionais de saúde e não para estudantes, os legítimos beneficiários da ação dos Serviços Sociais?
O Reitor considerou que a ação era legítima porque esta refeição não é subsidiada e porque considera que os professores e médicos da Faculdade de Medicina têm direito a um espaço digno para as suas refeições. Instados a pronunciarem-se os representantes dos estudantes no CG, o presidente da FAP, Daniel Feitas, afirmou que considerava completamente natural e legítimo o investimento da UP para criar um restaurante que não é destinado aos estudantes, mas sim a professores e médicos e lembrou que o mesmo já sucedera antes na FEUP (“Grill”). Recordei que os funcionários do novo restaurante são funcionários dos SASUP. A notícia do JN foi citada em post anterior deste blog e pode ser lida aqui:

3.2. “Reflexão sobre a experiência pessoal como membro do CG.”

O Presidente do CG anexou à Convocatória o documento por mim enviado e intitulado: “Dois Anos como Membro de CG: uma Reflexão Pessoal sobre as Conquistas e as
Disfuncionalidades do Órgão”. O documento está presente em post anterior deste blog e pode ser lido aqui:
O Presidente do CG não fez qualquer comentário ao conteúdo do documento, assim como nenhum membro do CG se pronunciou sobre o mesmo.

4.        Outros assuntos.
Não houve.

B. Ordem de trabalhos:

1. Aprovação da ata da reunião de 09 de outubro de 2015.
A ata foi aprovada por unanimidade e pode ser lida aqui:

2. Discussão e aprovação do orçamento provisório para 2016.
O orçamento provisório foi apresentado nos documentos que podem ler aqui:





O administrador da UP, Dr. José Branco esteve presente durante o tratamento deste ponto da agenda. Embora este ponto estivesse inscrito na convocatória, nenhum documento foi distribuído aos membros do CG até quarta-feira, dois dias antes da reunião. Esta falta de respeito pelos prazos mínimos de entrega de documentos (devem ser entregues uma semana antes da reunião, aquando da divulgação da convocatória) levou a que eu criticasse o procedimento porque me parece revelar pouca consideração da Reitoria pelo CG. O Presidente do CG afirmou que não considerou necessário pedir parecer prévio sobre o orçamento provisório à Comissão de Finanças, como é habitual, porque considerou tratar-se não do orçamento definitivo da UP para 2016 mas sim apenas do cumprimento de um procedimento burocrático: na ausência de Orçamento de Estado, as instituições públicas têm que inscrever em dezembro no sistema informático do Ministério das Finanças orçamento igual ao executado no ano anterior (2015) para que a gestão orçamental da universidade durante os primeiros meses de 2016 (até à publicação oficial do Orçamento de Estado de 2016) se faça por duodécimos. Questionado sobre a percentagem do orçamento da UP de 2016 que será destinado à Reitoria, o Dr. José Branco informou estar previsto que a Reitoria gaste 9% do orçamento geral da universidade.

3. Aposentação do Provedor de Estudante (aguarda parecer dos Membros do Conselho Geral
O Prof. Doutor Nunes Ferreira, Provedor do Estudante, comunicou que se aposentara a 26 de outubro mas que mantém a disponibilidade para exercer o cargo até ser nomeado o seu substituto. Foi deliberado solicitar indicação de nomes às Associações de Estudantes para mais tarde se fazer a nomeação.

4. Apreciação e aprovação da ”Proposta de Designação de dois membros do CDUP”
Foi aprovada a proposta da Comissão de Governação de designação do Prof. Doutor João Paulo Vilas-Boas e do Pró-Reitor, Prof. Doutor Fernando Remião.

5. Ratificação da retificação da “Propina do Estudante internacional”.
A proposta foi aprovada por unanimidade. A proposta pode ser lida aqui:


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Deliberações Oficiais da Reunião de 11 de Dezembro de 2015

CONVOCATÓRIA Nos termos do artigo 30.º dos estatutos da UPorto, convoco os membros do Conselho Geral para uma reunião extraordinária que terá lugar no dia 11 de dezembro de 2015, às 14:30, na Sala do Conselho da Reitoria da Universidade do Porto – Praça Gomes Teixeira, 4099-002 Porto, com a seguinte agenda:

A. Antes da ordem de trabalhos:
1. Presidente do CG:
1.1. Integração na UP dos institutos de investigação prevista no art.º 11 do DL nº 96/2009 de 27 de Abril.
1.2. Mecanismos de autoavaliação regular da U.P. (art.º 28 nº 2 o) dos Est./UP).
1.3. Processo de Eleição dos membros do Conselho Geral Representantes dos Estudantes.
1.4. Calendário das reuniões do CG para o ano 2016.

2. Reitor: Assuntos gerais sobre atividade:
2.1. Plano Estratégico da UP 2016-2020.

3. Prof. Doutor Artur Águas:
3.1. “Questões propostas ao Senhor Reitor para a reunião do CG de 11 de dezembro de
2015”.
3.2. “Reflexão sobre a experiência pessoal como membro do CG.”

4. Outros assuntos.
B. Ordem de trabalhos:
1. Aprovação da ata da reunião de 09 de outubro de 2015.
2. Discussão e aprovação do orçamento provisório para 2016.
3. Aposentação do Provedor de Estudante (aguarda parecer dos Membros do Conselho Geral
Representantes dos Estudantes).
4. Apreciação e aprovação da ”Proposta de Designação de dois membros do CDUP” (aguarda parecer da Comissão de Governação).
5. Ratificação da retificação da “Propina do Estudante internacional”.

As Deliberações Oficiais da Reunião da reunião podem ser lidas aqui:



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

SASUP gastam €€€ a criar restaurante que não é para estudantes !

Segundo notícia do JN, os Serviços Sociais da UP acabam de inaugurar junto à Faculdade de Medicina um restaurante que não é para os estudantes (custo da refeição: 9,5€), mas sim para “os profissionais de Saúde”, segundo a diretora dos SASUP. O custo da remodelação do espaço andou pelas centenas de milhares de euros que poderiam ter sido usados, por exemplo, para reforçar o número de bolsas para estudantes carenciados. É irónico (e também doloroso) ver a diretora dos SASUP ser citada no final da notícia do JN que esta inauguração de restaurante, que não é para estudantes, se insere na comemoração do cinquentenário anos dos SASUP, já que foi “há 50 anos surgiu "o primeiro movimento de apoio aos estudantes", visto como "o embrião do serviço de ação social", que hoje em dia é representado pelo SASUP”.
Assim é política social da UP, assim é gasta a fatia do OE que cai na Reitoria da UP.
A notícia publicada no JN pode ser lida aqui:


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Feira da UP Volta ao Palácio em 2016?

Uma sugestão enviada por email ao Reitor e Equipa Reitoral na semana passada.

Exmo. Senhor Reitor e Exma. Equipa Reitoral,
O pavilhão do palácio de Cristal encontra-se em condição de utilização (veja-se anexo).
É um local mais apropriado, agradável e barato do que a Alfândega.
Por isso venho sugerir que futura Feira da UP 2016, a realizar no início da primavera, regresse ao Palácio.
Cumprimentos,
Artur Águas,
Membro do CG da UP
CC: membros do CG

O anexo pode ser lido aqui:


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Salvem a Palmeira dos Leões ! (a irmã já morreu)

Apelo que dirigi por hoje por email ao Reitor e à Equipa Reitoral:

Exmo. Senhor Reitor e Exma. Equipa Reitoral,
Uma das duas palmeiras da praça da  Reitoria está morta com a doença do escaravelho. A outra está sã, mas em risco de ser contaminada e de morrer também se não se fizer o tratamento preventivo. Custa pouco mais do que 100€ anuais. O que é isso comparado com gastos em eventos, galas, caterings, passeatas, etc ? Já agora é tempo de se comprar uma palmeira nova para substituir a já morta que dá um ar desolador aos Leões numa época em que até estão vibrantes.
Cumprimentos,
Artur Águas
PS: por favor não me digam que nada podem fazer porque a ação interfere com as competências da CMP; não sejam tão tipicamente lusitanos a esse ponto... (estou a apelar às "excelentes relações" entre UP e CMP...)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Dois Anos como Membro de CG: uma Reflexão Pessoal sobre as Conquistas e as Disfuncionalidades do Órgão

Tomei a iniciativa de enviar ao Presidente e aos Membros do CG uma reflexão pessoal sobre a minha experiência no CG. Esta minha reflexão foi agendada pelo Presidente do CG para o período de antes da ordem de trabalhos da reunião de 11 de dezembro. Partilho aqui com a comunidade UP a minha análise crítica.

A meio caminho do meu mandato como conselheiro da UP, eleito em representação dos professores, é este o tempo que julgo oportuno para uma reflexão pessoal sobre o CG, sobre as suas conquistas e as suas disfuncionalidades.

CONQUISTAS DESTE CG

1. Derrota do Regulamento Aprovado pelo Anterior CG, o qual Propunha Substancial Perda de Autonomia das Faculdades

A primeira questão com que o atual CG se confrontou foi a implementação do “Regulamento da UP”, o qual tinha sido elaborado e aprovado pelo anterior CG. Esse documento previa uma transformação radical na governação da UP: a Universidade passaria a ter uma gestão de tipo empresarial, em que o Reitor seria o todo-poderoso CEO da empresa Fundação UP. Passaria a ser o CEO/Reitor a nomear e a demitir os diretores das Faculdades e determinar a distribuição do financiamento por cada Escola. Desprezava-se a tradicional autonomia das Faculdades, a troco da putativa “eficácia económica” neoliberal resultante de uma gestão centralizada no CEO/Reitor.

Tendo o novo CG tomado posse, foi evidente que era minoritário o apoio que o “Regulamento da UP” recebia por parte dos membros do novo CG. Mais importante do que isso, o presidente do CG empreendeu, por sua própria e muito louvável iniciativa, uma detalhada análise jurídica do “Regulamento da UP”, tendo elaborado um circunstanciado parecer em que identificou várias ilegalidades no documento, nomeadamente devido a conflito com o que está estabelecido no RJIES, a lei que regula o funcionamento das universidades públicas portuguesas.

O “Regulamento da UP”, por estar ferido de ilegalidade, foi definitivamente esquecido e assim derrotada a tentativa de transformar a governação da UP numa gestão centralizada, de tipo empresarial, menosprezando a autonomia das Faculdades.

2. Aprovação de Novos Estatutos da UP Consagrando a Autonomia das Faculdades

Sendo um dos atributos do CG a alteração dos Estatutos (desde que tenham passado pelo menos 4 anos sobre a sua última revisão) e, na sequência do encerramento do dossier do “Regulamento da UP”, foi julgado pertinente fazer uma reflexão aprofundada sobre os Estatutos da UP, alterando o que se julgasse necessário. Isso levou à elaboração de uma proposta de novos Estatutos para a UP, em que, nomeadamente, ficou consagrada a autonomia das Faculdades. Esta proposta de novos estatutos foi aprovada por unanimidade pelo CG. Nela ficou estabelecido que são as Faculdades quem escolhe o seu diretor, e que o orçamento de cada Faculdade não está sujeito a decisão discricionária por parte do Reitor.

Os novos estatutos da UP estão em consonância com o modelo democrático de gestão universitária que consagrou o princípio de subsidiariedade que inclui a autonomia financeira das Faculdades. De igual modo, a escolha dos dirigentes de cada Faculdade é feita por quem lhe está próximo, ou seja pelos membros da própria Faculdade, através dos seus representantes eleitos. Vale a pena recordar que o Estado atribui a cada Faculdade do Ensino Público um financiamento que é baseado no custo-padrão da formação de cada um dos seus estudantes, custo este que é definido pelo próprio Estado, o qual é multiplicado depois pelo número de estudantes da Escola, para finalmente se obter o montante financeiro total que é atribuído pelo Estado à Faculdade. Apesar do orçamento de cada Escola ser veiculado através da Reitoria da Universidade, esse financiamento é reflexo da decisão do Governo relativamente ao montante que corresponde a cada uma das Faculdades.

DISFUNCIONALIDADES DO CG

1. Desequilibrada Representação das 14 Faculdades no CG

No atual CG têm assento 12 representantes dos professores (para um total de 23 membros). Apenas metade (7 em 14) das Faculdades da UP estão representadas por professores seus no CG. Sete dos doze representantes dos professores no CG são de duas únicas Faculdades (4 de Engenharia e 3 de Medicina). Legalmente é possível aumentar o número de membros do CG, já que segundo o RJIES, o CG pode ter de 15 a 35 membros. É portanto possível que o número de representantes dos professores no CG seja igual ao das 14 Faculdades (envolvendo essa possível alteração um aumento proporcional dos representantes dos estudantes e dos funcionários não docentes no CG).

Feito este aumento, tornar-se-ia possível aprovar um novo regulamento eleitoral para o CG prevendo que cada Faculdade passasse a eleger o seu representante no CG. Ou seja, o CG seguiria a mesma lógica que foi adotada para o Conselho Europeu em que cada país, grande ou pequeno, tem um único representante neste conselho. Aquando da Revisão do Estatutos da UP pelo atual CG, fiz uma proposta de aumento para 14 do número de representantes dos professores no CG para no futuro passarmos a ter todas as Faculdades representadas no CG. A minha proposta não foi aceite porque vingou a filosofia de que os professores eleitos para o CG não representam as Faculdades, mas sim a Universidade em geral. Lembrei que cada professor que faz parte do CG foi eleito, quase em exclusivo, com os votos dos professores da sua própria Faculdade (todos os votos que me elegeram foram do ICBAS, e todos os professores do CG, sem exceção, foram eleitos com pelo menos 95% de votos de professores da sua própria Escola). Contra a minha proposta foi também apresentado o argumento de que já existe um Conselho na UP que segue a lógica de Uma Faculdade/Um Representante (o dos Diretores de Faculdade). Esquece-se que o Conselho de Diretores é um órgão meramente consultivo, não elege o Reitor, um atributo do CG, nem tem poderes deliberativos, como os que são exercidos pelo CG.

2. Perigos da Eleição do Reitor por um Reduzido Colégio Eleitoral

Sendo o Reitor eleito pelo CG, a acima referida desequilibrada representação das Faculdades no CG poderá também desequilibrar a eleição do Reitor a favor das Faculdades mais representadas no CG. Poderá ser uma mera coincidência, mas o atual Reitor é professor da Faculdade com maior número de representantes no reduzido colégio eleitoral que o escolheu. Acresce que os membros externos à UP que pertencem ao CG são escolhidos por proposta e voto dos membros da UP eleitos para o seu CG, havendo assim o perigo de se refletir nesta escolha a assimétrica representação que as Faculdades têm no CG.

É também problemático que, sendo o Colégio Eleitoral do Reitor constituído apenas por 23 elementos que, antes do último ato eleitoral, tenhamos assistido a lobbying por parte de vários dos candidatos junto de cada um dos membros do CG (é que são apenas esses 23 votos que contam para a eleição do Reitor!). Isso não dignifica o cargo, nem a Universidade. Seria preferível retirar ao CG o atributo de eleger o Reitor, sendo o Reitor antes eleito por um colégio eleitoral alargado e constituído por várias centenas de representantes provenientes de todas as Faculdades da UP, como foi prática na nossa Universidade até à aprovação do RJIES (o Reitor era escolhido pelo voto secreto dos membros da antiga Assembleia de Universidade).

3. Planos de Ação Anuais, Quadrianuais e Estratégicos Longos, Palavrosos e não Sujeitos a Escrutínio a Posteriori. Apenas um Cumprimento Masoquista da Lei?

A aprovação de Planos de Ação ou de Estratégia do Reitor (anuais ou para o quadriénio) é uma exigência legal do RJIES, que naturalmente tem que ser cumprida, mas cujo benefício para Universidade é difícil de perceber. Têm estes Planos constituído extensos documentos de árdua leitura, apesar do moderno grafismo e da qualidade de produção com que são apresentados. É que no grosso das suas páginas, estes Planos reúnem sobretudo os textos enviados pelas várias Faculdades (que, ao fazê-lo, estão também a obrigar-se a uma tarefa de que não anteveem benefício para as suas Escolas). As contribuições das várias Faculdades para os vários Planos da UP são bastante assimétricas (vão, por exemplo, desde 41 da FEUP e da FMUP, a 3 da FCUP e 1 da FCUP). O texto do primeiro terço de cada um destes Planos é da autoria da Reitoria que aí faz essencialmente uma compilação, em quadros cumulativos, dos dados enviados por cada Faculdade, a que se junta uma série de modernos “scoreboards”.

O que é apresentado como Plano para o ano seguinte (ou para o quadriénio) é um texto longo e permeado de clichés generalistas do género “a Universidade irá promover o ensino e a investigação”, sem depois se precisar quais as medidas concretas para se atingirem essas enunciadas boas intenções. Contém também cada um destes Planos um conjunto de quadros com “scoreboards” que propõem metas numéricas a atingir pela UP nos anos seguintes. Contudo, findo o ano e recolhidos os dados do exercício anual, não é feito um relatório crítico que compare e interprete as eventuais diferenças entre o que foi atingido e o que ficara previamente almejado nos “scoreboards”.

Na realidade, sejamos práticos, poucos serão aqueles que leem estes Planos, para além dos técnicos administrativos que os têm que compilar e escrever. Se estes Planos não servem na prática para orientar a gestão da UP e das suas Faculdades, pergunta-se: para quê perder tempo a elaborar e a aprovar longos Planos que apenas compilam lugares comuns? Se é só para cumprir a lei, que se façam planos curtos; é que para inglês ver, 20 pgs chegam. Bem sei que a elaboração de longos relatórios cheios de vacuidades, e sem nenhuma consequência sobre o real, é uma das manias nacionais. Respeitando este nosso traço cultural, exigido pela nossa peculiar legislação, não será de bom senso que não se perca demasiada energia e tempo com o que é apenas o cumprimento de um requisito burocrático?

A pouca importância real dos Documentos de Plano e/ou Estratégia da UP é reflexo da orgânica da nossa Universidade que saudavelmente considera, através do seus Estatutos, que as suas Faculdades devem beneficiar de autonomia de governação (escolhem diretamente os seus dirigentes) e financeira (os seus orçamentos são definidos pelo Governo através da aplicação de fórmulas próprias). Um “copy and paste” dos Planos de cada Faculdade seria o suficiente.

Tendo a Reitoria limitadas as suas atribuições financeiras e de governação pela autonomia das Faculdades, mesmo assim poderia ir para além da sua tradicional função de representação institucional, dedicando-se a criar e a promover iniciativas aglutinadoras que empolguem e dinamizem a Academia como um todo. E o CG poderia servir como um fórum, entre outros, para a proposição, apresentação e discussão dessas novas iniciativas da comunidade UP. Mas não o é: o CG é convocado só para cumprir a obrigação de votar os estritos documentos que exigem legalmente o seu voto.

4. Deficiente Fiscalização pelo CG da Gestão do Reitor

Segundo o RJIES (art.82º, e), “compete ao CG apreciar os atos do reitor ou do presidente e do conselho de gestão”. Ou seja, o CG é o garante perante toda a UP de que existe um órgão atento às decisões do Reitor e que as pesa. Trata-se de uma competência importante mas que é, no entanto, praticada com parcimónia na UP. Desde logo porque a maioria dos membros do seu CG aceita o ponto de vista de que as 4 reuniões anuais “ordinárias” (ou seja: o número mínimo que a lei exige) são suficientes para “apreciar os atos do Reitor”. Reuniões extraordinárias, para além das 4 “ordinárias”, só ocorrem quando o Reitor pede a sua convocação, e ele só o faz quando a isso é obrigado por a lei isso lhe exigir, em cumprimento de prazos, a aprovação pelo CG de vários documentos. Em cada reunião, é habitual ser “Informações do Reitor” o primeiro ponto da agenda. Durante cerca de meia hora, o Reitor apresenta então a lista das atividades cumpridas durante o último trimestre, sem que o CG seja informado sobre as atividades que planeia executar no trimestre seguinte.

Para “apreciar os atos do reitor […] e do conselho de gestão”, o CG devia reunir mensalmente com o Reitor e com o conselho de gestão para assim ser informado por estes órgãos sobre o que acaba de ser decidido e sobre o que se pretende realizar no mês seguinte. Na situação atual, o Reitor recebe a chancela de que a sua gestão está sujeita à supervisão e aprovação do CG, já que este, legalmente, aceitou, ao ser empossado, a responsabilidade de “apreciar os atos do reitor […] e do conselho de gestão”. Na realidade o CG nunca recebeu qualquer ata das reuniões do conselho de gestão, nem é possível, com reuniões de periodicidade trimestral, verdadeiramente apreciar com cuidado a gestão do Reitor e da sua equipa reitoral. Em conclusão: na prática, há apenas uma incompleta “apreciação dos atos do reitor […] e do conselho de gestão” pelo CG. Em minha opinião, a lei, no que a isto respeita, não é cumprida na sua inteireza.

5. Incompetência Técnica do CG para a Fiscalização dos Orçamentos Propostos pelo Reitor

Uma das competências mais sérias do CG é a de aprovar o Orçamento da UP, o qual lhe é proposto pelo Reitor. Ao aprovar, sempre sem alterações, o orçamento do reitor, o CG torna-se o garante da sua legalidade e da sua adequação à UP, assim tranquilizando a Academia que fica com a ideia de que existe um órgão que analisa criteriosamente o documento orçamental.

Acontece que o CG não tem capacidade técnica para fazer essa fiscalização: não há um único especialista em economia/finanças no CG e, apesar de isso ter sido sugerido em várias reuniões ao Reitor, nunca teve o Reitor a iniciativa de dotar o CG de meios técnicos independentes, da área de economia e finanças, que permitam a assessoria da Comissão de Finanças e Orçamento na redação do seu parecer sobre propostas orçamentais. O presidente desta Comissão tem tido a louvável iniciativa de pedir por favor a dois professores da Faculdade de Economia para graciosamente elaborarem dois pareceres sumários, para assim ser ultrapassada a incompetência técnica dos membros desta Comissão na escrita do relatório de apreciação da proposta de orçamento submetida pelo reitor.

Para ser sério, o trabalho de análise de qualquer proposta orçamental pela Comissão de Finanças e Orçamento necessitaria de um par de assessores técnicos independentes (poderiam ser dois estudantes de doutoramento em finanças da Faculdade de Economia) que periodicamente estivessem disponíveis, a troco de remuneração e não apenas fazendo um favor, a serem consultados pelos membros da Comissão. Na situação atual, a Comissão e o CG votam e aprovam documentos orçamentais que não têm capacidade técnica para escrutinar. É um faz de conta, com a desculpa de mau pagador de o CG não querer atrasar ou bloquear o funcionamento da Universidade. Confesso mea culpa por eu próprio ter participado neste simulacro de fiscalização.

Confirmando a incompetência técnica da Comissão para qualquer fiscalização orçamental ou financeira, é pertinente recordar que na reunião do CG do passado dia 16 de janeiro, o Presidente do CG considerou que seria adequado a Comissão de Orçamento e Finanças passar a apresentar trimestralmente ao CG um relatório do acompanhamento do plano anual de atividades, execução orçamental e controlo; e inteirar-se do andamento de eventuais contratos de fornecimento de serviços com entidades privadas ou até públicas da Universidade, tarefas estas que a Comissão nunca cumpriu, devido à sua manifesta incapacidade técnica para a tarefa, como acima referido.

Esta falta de efetiva fiscalização financeira é particularmente importante quando a UP tem visto na última década um progressivo crescimento da percentagem do orçamento da Universidade que é destinado a gastos da sua Reitoria (a Reitoria já é a segunda “Faculdade” da UP, logo depois da FEUP, em gastos anuais). É que o que a Reitoria gasta é deduzido do bolo financeiro a distribuir pelas Faculdades. Não será legítimo imaginar que com uma Reitoria gastando o que a Reitoria gastava há uma década, e não o que gasta agora, a UP passaria a ter disponibilidade financeira para criar uma nova Faculdade?


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O Reitor, enquanto Reitor, não deve publicitar opiniões politico-partidárias

Crítica minha, enquanto conselheiro da UP, ao Reitor enviada por email há dois dias (dando conhecimento aos membros do CG).

Exmo. Senhor Reitor,

O cidadão Sebastião Feyo de Azevedo, como todos nós, tem todo o direito de expressar as suas opiniões politico-partidárias, afirmando-se publicamente contra um potencial governo de esquerda unida; o Prof. Catedrático da UP, idem. O Reitor da Universidade do Porto, assinando como Reitor da UP, pelo contrário, deve eximir-se de expressar publicamente as suas opiniões politico-partidárias publicitando-as em letra de forma, como o fez no artigo publicado pelo JN de 3 de novembro , porque o Reitor representa toda a Universidade onde coexistem as mais diversas opiniões politico-partidárias. O artigo pode ser lido aqui: 


Nem deve o Reitor da UP, em modos de conclusão, somar a sua voz à“nossa sociedade civil (para) exercer, sob várias formas, um magistério de influência sobre os políticos que elegeu, que limite os excessos e que combata a radicalização, sem o que não existe esperança de desenvolvimento” (citação do penúltimo discurso do Presidente da Republica?).

Estou certo que um bom número de membros da UP não se revê na interpretação que o Reitor da UP faz dos tempos atuais: “um recrudescimento da luta ideológica, como não víamos desde o Verão Quente de 1975, que se projeta num crescendo de intervenções públicas, cheias de intelectualidade (qual é o mal?), sugerindo que quem não ler por esta cartilha do momento é de ‘direita’, uma dicotomia que causa os maiores arrepios a quem conheceu e viveu a história do pré e pós-25 de Abril, um clima intolerável para as almas livres”.

Como conselheiro da UP, eleito pelo voto universal dos meus pares, venho aconselhar o Senhor Reitor a que não faça intervenções públicas de teor politico-partidário na sua condição de Reitor da UP. Se assinar “Sebastião Feyo de Azevedo, prof. Catedrático, reitor da Univ. do Porto”, nada terei a apontar-lhe.

É que nem todas as “almas livres” da UP tem fobia a um governo de esquerda unida.

Com os meus melhores cumprimentos,
Artur Águas

CC: membros do CG.