quarta-feira, 10 de setembro de 2014

20 Sugestões ao Reitor


1.     Reitor dialoga com as faculdades uma vez por mês


Diálogos mensais em cada Faculdade a realizar em anfiteatro e em sessão aberta a todos os funcionários e estudantes, com a duração de uma hora, ao fim da tarde, entre as 18 e as 19 hrs, com calendário previamente conhecido, como por exemplo:

FAUP – 1ª segunda-feira do mês; FBAUP – 2ª segunda-feira do mês; FCUP – 3ª segunda-feira do mês; FCNAUP – 4ª segunda-feira do mês.

FADEUP – 1ª terça-feira do mês; FDUP – 2ª terça-feira do mês; FEP – 3ª terça-feira do mês; FEUP – 4ª terça-feira do mês.

FLUP – 1ª quarta-feira do mês; FMUP – 2ª quarta-feira do mês; FMDUP – 3ª quarta-feira do mês: FPCEUP – 4ª quarta-feira do mês.

ICBAS – 1ª quinta-feira do mês.

(não podendo estar presente, o reitor será substituído por um dos vice-reitores)

Estes diálogos, abertos e descentralizados, permitirão ao Reitor sentir um pulsar da universidade complementar ao pulsar sentido nas reuniões mensais com os diretores de faculdade. E o Reitor deixará de ser, para quem mas não é diretor de faculdade, aquela figura distante que mora lá longe no Largo dos Leões.

 
2.     Reitoria transfere-se para o campus da Asprela


A localização atual da reitoria distancia-a das faculdades: em vez de se situar num campus, a reitoria está exilada no centro da cidade. É no maior dos campus da UP que faz sentido estar a reitoria e esse é o polo da Asprela. Existe terreno para lá erigir um edifício de moderada dimensão desenhado por Siza Vieira e/ou Souto Moura (os Pritzkers da UP!). A reitoria poderá desde já e temporariamente ocupar parte do edifício do I3S, da UPTEC, ou espaço disponibilizado por uma das faculdades do polo da Asprela (pela enorme FEUP, por exemplo).


3.     Edifício da reitoria passa a centro cultural

 
O edifício da reitoria fica situado em pleno centro histórico e turístico da cidade, naquele que é também o verdadeiro epicentro da zona mais movimentada do Porto nas noites de quinta a domingo. A parte traseira da reitoria (a que está virada para o jardim da Cordoaria) parece pouco ocupada e poderia ser desfrutada por cidadãos, turistas e noctívagos que do boom turístico e cultural da cidade. Sendo a reitoria transferida para o polo da Asprela, proponho que a UP guarde apenas o seu terço fronteiro: o terço que se encontra em continuidade com a fachada tapada pelo gigantesco outdoor da NOS. Isto significa que a UP manterá o salão nobre para atos solenes, sendo o restante espaço desse terço fronteiro destinado à criação de uma sala estúdio para o Teatro Universitário e de um conjunto de 6 grandes espaços multivalentes para, por exemplo, vibrantes exposições temporárias que tenham como base peças dos museus da UP. Para serem vibrantes, essas exposições temporárias exigirão, cada uma delas, uma narrativa própria e inovadora, da responsabilidade de um comissário, que possa atrair o visitante e, idealmente, sejam realizadas em parceria com outras instituições culturais (o MSR e o CPF estão a dois passos). Um museu da UP com uma coleção permanente só se justifica se a UP dispuser de património tão valioso que, pela sua qualidade, se autossustentaria em público ao longo dos anos. Não é este o caso do património museológico da UP. As salas onde este património se encontra exposto encontram-se habitualmente às moscas (nas visitas que lhes vou fazendo, encontro-me invariavelmente sozinho). Ter sempre disponíveis nos Leões 6 espaços para atividades temáticas que mudem em cada seis meses dará nova vida à marca UP e à cidade. Seria apropriado que 2 desses espaços ficassem sempre a cargo de comissários nomeados pela Faculdade de Belas Artes e pela de Arquitetura. Um espaço de sala-estúdio seria entregue ao Teatro Universitário e seria também utilizado, nos intervalos da apresentação das suas peças teatrais, para ciclos de cinema. Os restantes dois terços do edifício da reitoria (os 2/3 traseiros) seriam alugados ou alienados à iniciativa privada para utilização em atividades lúdicas. Seria esta parte traseira e lateral do edifício ocupada, como efeito de âncora, por estabelecimentos de fast-food e fast-drink (por exemplo: Starbucks, Hard Rock Café, Bar/snack da FAP, McDonald’s, Nando’s, Lameiras, etc) e de produtos locais (vinhos do Douro e do Porto, loja do FCP, empreendedorismo explicado e promovido por balcão/loja da UPTEC). Poderia ainda ser criada uma esplanada interior ocupando o claustro central do edifício, com palco para concertos noturnos de jazz, rock, etc; e outra esplanada exterior poderia ainda ligar no verão a traseira do edifício ao jardim da Cordoaria. Os sobrantes espaços interiores do edifício da reitoria seriam dedicados a variadas atividades criativas, como para a criação de uma residência internacional para escritores, músicos e artistas plásticos.


4.     Intervenção cívica da UP: elaboração de Livros Brancos temáticos


Tirando partido da “expertise” da UP, rica em especialistas de várias áreas do conhecimento e de várias profissões, a “terceira missão” da UP poderia compreender a elaboração de documentos, do tipo do “Livro Branco”, a disponibilizar na net a todos os cidadãos. A sua feitura seria encomendada pelo Reitor a equipas de professores, técnicos e investigadores da UP que realizariam avaliação técnica de um problema específico da vida nacional e/ou local. Por exemplo: seria solicitado a professores da Faculdade de Direito para se pronunciarem sobre a situação da Justiça em Portugal e sobre as reformas a empreender nesta área; seria pedido a professores de Psicologia, Sociologia e disciplinas afins para fazerem um levantamento crítico da pobreza, exclusão e marginalização social na área metropolitana do Porto, seria pedido a professores de Economia para se pronunciarem sobre a segurança social e a sua sustentabilidade; seria pedido a professores de várias Faculdades para se pronunciarem sobre o estado atual de descentralização da gestão pública em Portugal, sobre vantagens e desvantagens da gestão de proximidade e da regionalização; seria pedido a professores de Medicina e Economia para se pronunciarem sobre como viabilizar um serviço nacional de saúde universal na era da medicina tecnológica, etc. Cada “Livro Branco” seria apresentado em sessão pública, ficaria disponível na net e daria origem a um conjunto de debates públicos. Esta iniciativa seria mais um sinal de que a UP põe o seu saber técnico e as suas propostas ao serviço da comunidade local e nacional. As grandes questões e as grandes reformas da nossa vida pública não devem ficar em exclusivo nas mãos dos políticos e de uma comunicação social que está em parte controlada por grandes grupos económicos. Seria assim fomentada uma UP com voz ativa, respeitada e independente, contribuindo para a busca de soluções para problemas que atingem o nosso bem comum e a nossa vida comunitária, de modo a que o país e a região se habituassem a ver na UP um parceiro ativo também fora das paredes das suas faculdades.


5.     Conter o crescimento da reitoria


Como todas as instituições com funções burocráticas, a reitoria tende a expandir progressivamente os seus recursos, aumentando gastos e número de colaboradores. O último episódio desta tendência foi a criação do CRSCUP em maio de 2013. O CRSCUP surgiu numa altura em que não era possível nova contratação pública; a solução encontrada pela reitoria da UP foi a de transferir funcionários das faculdades para o seu serviço, ou pôr alguns destes funcionários sob a sua alçada, tendo como finalidade, como foi na altura afirmado pela reitoria, eliminar funções redundantemente efetuadas nas várias faculdades. Com esta reforma centralizadora, poupar-se-iam recursos e ganhar-se-ia eficácia. Estas transferências de funcionários dentro da UP, ampliando o pessoal da reitoria, ou sob a sua direção, foram decididas sem ouvir os afetados e introduziram confusão, conflito e a infelicidade na universidade. De facto, tem sido expressa insatisfação por parte de funcionários que, de um dia para o outro, mudaram de hierarquia e foram transferidos das suas faculdades para a reitoria e de outros que, ainda que sediados nas suas faculdades, passaram a obedecer a uma hierarquia localizada à distância, no largo dos Leões. Como resultado desta iniciativa da anterior equipa reitoral, os almejados ganhos para a UP em produtividade e eficácia parecem estar por demonstrar (como o atual reitor, enquanto diretor da FEUP, escreveu no seu programa de candidatura). Acresce que a decisão de criar o CRSCUP, e o modo como foi implementado, não teve a sensibilidade de ter em conta que um importante componente da identidade de cada um de nós, funcionários da UP, é o afeto que investimos na nossa ligação à entidade laboral. Essa ligação é feita com a nossa faculdade e não com a entidade abstrata que é a UP, mesmo sendo todos nós objetivamente funcionários da UP. Se de um momento para o outro nos cortam essa ligação, passando nós de funcionários de uma instituição com identidade sólida e estável (a faculdade) para outra de identidade difusa, mutável e frequentemente assolada por “estados de alma” (a reitoria), é natural que o nosso trabalho diário deixe de ser uma alegria. Para mais, é voz corrente na UP que a qualidade da gestão de pessoal na reitoria é inferior à que se vai fazendo nas várias faculdades.

Propostas pessoais sobre o tema de contenção do crescimento da reitoria:

(i)                   Ponderar a extinção do CRSCUP devolvendo os funcionários transferidos para a reitoria às suas faculdades de origem. Se rejeitada esta sugestão, propõe-se em alternativa o seguinte:

(ii)               Após consulta com as faculdades, diminuir o CRSCUP ao número mínimo de funcionários que seja estritamente necessário (tendo em conta m primeiro lugar as vantagens que advêm da aplicação do princípio da subsidiariedade e da gestão de proximidade) e, em consequência, devolver o maior número possível de funcionários às suas faculdades de origem.

(iii)             A fim de conter a tendência de crescimento burocrático da reitoria, aprovar como recomendação do Conselho Geral o princípio orçamental de que reitoria da UP não deve ultrapassar os gastos anuais de qualquer das suas faculdades.


6.     Garantir a todos os estudantes o direito de escrutínio das

classificações que lhes são atribuídas em avaliações académicas


Em todas as faculdades, deve ser implementada a garantia de acesso gratuito do estudante a fotocópia das suas provas escritas de avaliação, assim como das respetivas correções e das classificações parcelares atribuídas pelo docente. Em todas as faculdades, também instituir o direito do estudante contestar, de modo fundamentado, a nota que lhe foi atribuída junto regente da disciplina e consagrar o direito de apelo dessa decisão para o diretor ou vice-diretor do departamento em que a disciplina é lecionada. Pode parecer desnecessário solicitar que se torne obrigatório o respeito destes elementares direitos dos estudantes, mas infelizmente não o é. Continua a ser tolerado pelos órgãos de gestão das faculdades o poder discricionário de alguns professores em não dar acesso aos estudantes às correções e pontuações das provas escritas. Só uma norma emanada do Reitor terá força para erradicar estas atitudes de prepotência por parte de alguns docentes da UP que, mesmo sendo ocorrências pontuais, envenenam o ambiente universitário ao menorizar, aqui e acolá, o estatuto do estudante, limitando um dos seus direitos fundamentais.


7.     Subir acima de 50% a percentagem de estudantes que responde a

Inquéritos Pedagógicos (IPs)


É calamitosamente baixa a atual percentagem de estudantes da UP que responde anualmente aos IPs: menos de 20 ou de 10% dos alunos, conforme as faculdades. Os IPs têm como objetivo recolher uma opinião quantificada (scoring de 1 a 7) que é manifestada pelos estudantes sobre a qualidade do ensino que lhes és oferecido em cada semestre e em cada disciplina e por cada docente. Na verdade, hoje em dia os estudantes confessam-me não verem qualquer vantagem em perder 4 a 6 horas a responder a um inquérito, igual e repetido para as 5 ou 6 disciplinas do semestre, já que os resultados globais dos inquéritos não são depois publicitados, nem é percetível que levem a qualquer mudança no ensino. Para os professores que os resultados dos IPs revelam ser são menos apreciados pelos seus estudantes, a baixa percentagem de participação sustenta o seu argumento de que nenhuma ilação se pode tirar de resultados de inquéritos a que respondem menos do que um em cada cinco estudantes. E, no entanto, a opinião dos estudantes sobre os conteúdos das suas disciplinas e sobre os seus professores é um parâmetro essencial para melhorar o ensino universitário e se poder avaliar a pertinência de cada disciplina e o desempenho de cada professor. Na UP instalou-se um generalizado “deixa andar” relativamente à (não) à cada vez menor percentagem de estudantes que preenchem os IPs.

Estas são as soluções que proponho:

1.      Os resultados semestrais dos Inquéritos Pedagógicos passam a ter divulgação universal dentro da comunidade UP através da sua intranet (“Sigarra”), de modo a que estudantes e professores tenham acesso a essa informação e para que os estudantes passem a poder concluir que vale a pena perder tempo a responder aos IPs.

2.      Para aumentar a participação dos estudantes no preenchimento dos IPs, proponho que sejam tomadas as seguintes medidas:

(a) o estudante que preencha o inquérito semestral na totalidade recebe como retribuição a subida em 1 valor da nota de uma das disciplinas (à escolha do estudante e de entre aquelas em que obteve aprovação nesse semestre);

(b) as classificações só serão lançadas na ficha do estudante na intranet da faculdade após este ter preenchido os IPs referentes ao semestre que terminou. Assim, o preenchimento dos IPs passará a ser visto pelo estudante como um dever académico, que de facto o é.

Uma das propostas concretas do Reitor no seu Programa de Candidatura é a revisão do modelo de avaliação docente. Todos os modelos de avaliação docente exigem um componente sério de avaliação da qualidade do ensino ministrado aos estudantes. Se esta avaliação, a realizar pelos estudantes, não existir, como atualmente sucede, vamos ter professores com notas de “excelente” que derivam em exclusivo do número de “papers” publicados e de funções de gestão exercidas; poderão estes mesmos “excelentes” professores ser incompetentes na transmissão de conhecimentos que fazem diariamente.
 
 
8.     Propinas gratuitas para os melhores estudantes


Tirando partido da gestão agilizada que é permitida pelo estatuto de fundação, a UP poderá dar um sinal simbólico de apreciação da excelência académica revelada pelos seus melhores estudantes, isentando os melhores dos melhores do pagamento de propina. Veja-se o recente exemplo vindo da Universidade do Minho: No âmbito de uma parceria entre a Universidade do Minho e empresas parceiras da área da Engenharia, Construção Civil e Obras Públicas, foi criado um Programa de Bolsas de Estudo em Engenharia Civil, de modo a atrair os melhores talentos para estudos em Engenharia Civil. O programa consiste na atribuição de Bolsas de Estudo aos 15 melhores alunos que ingressem no Curso de Mestrado Integrado em Engenharia Civil nos anos letivos de 2014/2015, 2015/2016 e 2016/2017. A bolsa tem um montante igual ao valor anual das propinas e será mantida durante os 5 anos do curso enquanto o aluno obtiver uma classificação entre os melhores alunos do curso. Os estudantes selecionados para as bolsas de estudo comprometem se a aceitar uma oferta de estágio remunerado de um ano, após conclusão do curso, pelo mínimo de 2.5 vezes o salário mínimo nacional, caso as empresas parceiras o decidam oferecer.
 

9.     Incentivar a escolha de Erasmus; porquê a alta mobilidade entre

Portugal e Polónia?

 
Quem diria que a análise de mobilidade de estudantes ao abrigo do Erasmus revelou que os estudantes portugueses escolhem a Polónia em segundo ou terceiro lugar entre os países europeus? E, também, que os polacos estão entre os estudantes que mais realizam Erasmus em universidades portugueses. Porque será? Não há afinidade linguística e a distância entre os dois países não é curta. Terá a ver com laços comerciais relacionados com investimentos portugueses na Polónia (Pingo Doce, Mota-Engil, Millenium, etc)? O bom que seria que todos os países da Europa fossem, quanto ao Erasmus, como a Polónia! Perceber a razão de ser deste fenómeno poderá identificar vias para que um número maior de estudantes da UP passe a utilizar a mobilidade europeia durante o seu percurso académico, e também poderá ajudar na definição de estratégias de promoção da escolha da UP por parte de estudantes estrangeiros. Um estudo recente revelou que os estudantes portugueses que fazem Erasmus são menos vitimados pelo desemprego do que os que não o realizam. Mesmo que este achado reflita apenas um epifenómeno, o incremento da mobilidade europeia de estudantes da UP e para a UP é um objetivo que deve merecer particular atenção num país situado num cantinho do extremo ocidental do continente.


10.            Aumentar cooperação com Brasil utilizando professores da UP com

prestígio em terra de Vera Cruz

 
O Brasil é sempre apontado como potencial parceiro de Portugal na cooperação académica, científica e tecnológica. Infelizmente, os resultados de esforços feitos neste sentido têm ficado aquém das espectativas. Têm sido realizadas sucessivas e onerosas visitas (“missões”) transatlânticas de equipas reitorais e de dirigentes de faculdades portuguesas ao Brasil sem que isso tenha resultado em grande incremento de cooperação. Aos anteriores insucessos, soma-se agora a decisão do governo brasileiro de não incluir o nosso país entre os possíveis destinos do novo programa de financiamento de bolseiros universitários em mobilidade fora do Brasil. Sendo o Brasil tão importante, e lembrando a vontade do reitor de apoiar “embaixadores da UP”, porque não reunir aqueles que são professores da UP prestigiados em universidades brasileiras e pedir-lhes ajuda? A UP tem entre os seus quadros professores honoris causa por universidades brasileiras e outros que têm sido repetidamente contratados como experts. Seria oportuno criar uma “task force” constituída por estes professores da UP para ser delineada uma nova estratégia de cooperação com o Brasil. Para identificar estes professores, basta perguntar às várias faculdades quem eles são. Por exemplo, nós no ICBAS temos entre nós professores que colaboraram com as autoridades brasileiras no planeamento e montagem de estruturas de emergência médica associadas ao mundial de futebol. É de lembrar que o próprio Reitor da UP participou em convénios de engenharia entre os dois países relacionados com os acordos de exploração de petróleo pela GALP no Brasil e ainda que o nosso vizinho IPP estabeleceu um acordo de cooperação diretamente com o governo brasileiro, como foi recentemente noticiado: IPP | Politécnico do Porto passa a ser interface entre Brasil e Portugal na Inovação Tecnológica e Empreendedorismo. Rosário Gambôa, Presidente do Instituto Politécnico do Porto (IPP), acaba de assinar em Brasília um Memorando de Entendimento com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil.


11.            Dar cor à UP


As universidades públicas nacionais adotam o negro para os seus trajes académicos, talvez reflexo de um tempo em que o ensino era essencialmente praticado em instituições eclesiásticas. O negrume dos júris e cortejos académicos é soturno. Que alegria quando um membro de júri, por se ter doutorado no estrangeiro, entra na sala de atos com uma toga que tem cor! É altura da UP escolher uma cor para a sua simbologia e abandonar o negro. Para o traje, para o papel timbrado, para a insígnia. Alegremos a UP! Se fosse eu a escolher, seria a cor do sangue, da vida e da alegria. O Reitor provavelmente escolheria o azul, apesar de ser a cor da melancolia. Talvez escolhesse mesmo um azul com a sua inerente melancolia atenuada na vertical por uma ou outra risca branca. Um azul vivo, riscado ou não a branco, será mil vezes melhor do que o lúgubre negro.


12.            O mecenato substitui o corte de financiamento do OE à da UP


É um óbvio “wishful thinking”. Mas porque não experimentar? Poderá, por exemplo, ser tentado através de um mailing personalizado e criativo a dirigir aos 100 cidadãos mais ricos do país (particularmente aos que frequentaram a UP), assim como às 100 mais importantes empresas (do norte, em particular), perguntando se não gostariam que fosse criada uma cátedra a perpetuar o seu nome, ou uma ala de faculdade, ou um anfiteatro, ou uma biblioteca, etc, mediante uma razoável doação anual (por exemplo, o nome de uma cátedra envolveria a doação de montante equivalente aos honorários anuais de um professor, sendo que a doação poderia ser feita através de uma fundação). A doação mecenática poderá também ser ampliada a quem não é milionário. Por exemplo: a afixação de uma plaquinha com o nome do doador numa cadeira de biblioteca, de anfiteatro ou de jardim da faculdade poderia ser feita por doação de uns 200€ anuais. Esta última sugestão poderá parecer ridícula, mas cadeiras com plaquinhas com nome de doador são achados correntes no outro lado do atlântico (para além das mais óbvias cátedras, alas e anfiteatros com dedicatória mecenática que todos já vimos em universidades americanas).

 
13.            Tirar o melhor partido do património imobiliário da UP


A UP tem edifícios no seu património que foram resultado de doações, como a do arquiteto Marques da Silva ou a da Casa de Pernambuco, e cujo aproveitamento em prol da comunidade UP parece ser limitado ou é pelo menos pouco conhecido. Particular atenção a Casa de Pernambuco, que pode no futuro funcionar como uma verdadeira Casa do Brasil no Porto. Trata-se de edifício de qualidade arquitetónica elevada e com grande potencial de utilização (tem espaços de auditório, biblioteca, galeria de exposições e quartos para residência de bolseiros). A Casa de Pernambuco está situada no polo do Campo Alegre e, apesar de o edifício estar acabado, encontra-se vazio, à espera do findar de um longo processo de legalização que permita a obtenção de licença camarária de habitabilidade. Dá dó ver um tão belo e espaçoso edifício vazio e a degradar-se.

 
14.            A colaboração entre a UP e a Efacec como paradigma da relação

a fomentar entre UP e empresas; workshop da UPTEC


Em concurso aberto às universidades portuguesas em 2013, a COTEC distinguiu a colaboração entre a UP e a Efacec pelo facto de englobar: “áreas com potencial para transferência de conhecimento da universidade para a empresa e, consequentemente, tem gerado novos produtos para a empresa […] com claros benefícios para ambas as instituições aos níveis académico, científico e de transferência de conhecimento.” Esta colaboração merecia ser mais divulgada para servir de modelo a novas iniciativas que liguem a universidade ao tecido económico local ou nacional. Também segundo a COTEC, as colaborações entre a UP e a Unicer e a Mota-Engil também são exemplares e por isso merecedoras de maior divulgação para que sirvam de inspiração de novas colaborações entre a UP e empresas. Para disseminar o espírito empresarial na UP, seria interessante trazer anualmente a cada faculdade um workshop prático em que numa manhã seria ensinado como se pode criar e manter uma microempresa pessoal; este workshop prático poderia ser lecionado por membros da UPTEC.


15.            Criar a Universidade Sénior da UP e não excluir da universidade

os professores aposentados


Tenho alguma dificuldade em perceber a razão que leva as universidades públicas a não criar, como as privadas, universidades seniores. É que estas até poderão trazer de volta à UP ex-alunos que depois se envolvam no mecenato e queiram ser generosos para com a sua alma mater. A UP foi inovadora ao criar a UP Júnior que, verão após verão, tem vindo a crescer. Acontece que o nosso futuro enquanto país vai ser mais sénior do que júnior. Os velhos precisam de espaços não só para novas aprendizagens como para promover interação social entre si (é um fator decisivo para se ser um longevo saudável). E necessitam de espaços públicos também como ponto de encontro para associativamente se precaverem contra eventuais movimentos ideológicos ou governos que os queiram exterminar. São, claro, elucubrações de um sexagenário. A propósito de seniores, que dizer da iníqua lei recentemente criada por um governo “liberal” que suspende o pagamento de reforma aos professores aposentados que colaborem graciosamente em atividades de ensino e/ou investigação das universidades públicas? Bela ajuda às universidades públicas, a somar ao terem sido um dos alvos preferenciais dos cortes no OE! Alguém explicou ao governo (por exemplo, ao senhor secretário do ensino superior) o estatuto do professor emérito? A UP já manifestou publicamente o seu desagrado por esta medida legislativa?


16.            Olhar para a UC para melhorar a UP


A Universidade Católica (UC) tem-se destacado entre as universidades privadas em flexibilidade e inovação, nomeadamente através da criação de cursos em novas áreas necessárias ao mundo de hoje e que ainda não existem na UP (audiovisuais, restauro de arte, cinema, ciências da religião, etc), e também pela oferta de variadas formações em horário pós-laboral, mestrados ensinados em inglês, assim como por uma atitude pró-ativa na procura de emprego para os seus formandos, tudo ações que não têm grande paralelo na UP. Ter uma gestão que também é inspirada por boas decisões feitas em outras universidades, é algo que me parece aconselhável à UP. Mesmo estando o essencial do nosso financiamento assegurado pelo OE, a UP não se pode dar ao luxo de olimpicamente ignorar a inovação que vai sendo feita em outras universidades, antes deve ter em permanência um observatório da concorrência que avalie a pertinência de introduzir na UP mudanças que tem tido sucesso noutras universidades.


17.            Como subir no ranking de Xangai?

 
A UL substituiu a UP como a universidade portuguesa melhor classificada no ranking de Xangai. Isso deveu-se a uma simples operação de aritmética: foi criada uma nova universidade em Lisboa fundindo duas anteriormente existentes, fez-se a soma de dados e assim se ultrapassou a UP. Mais importante do que a posição no ranking é a densidade ou espessura de cada universidade (a sua produtividade per capita) e, neste aspeto, universidades mais pequenas do que a UP em estudantes e docentes, como a UA e a UM, e por isso situadas bem abaixo no ranking de Xangai, têm tido um progresso mais rápido do que a UP em produtividade per capita. A UA e a UM têm fama de ser mais ágeis, inovadoras e melhor entretecidas com a economia local do que a UP. Existem dois modos rápidos para a UP subir no ranking de Xangai: (i) pela aritmética, através da fusão com outras universidades (criando, por exemplo, a Universidade do Norte); (ii) pela contratação de 2 ou 3 prémios Nobel (fator importante no ranking) como professores visitantes da UP. O modo difícil e lento de subir no ranking é aumentando a produtividade per capita. Nem sempre as soluções rápidas são as que interessam.

 

18.            Incentivar redes multipolares de criação de conhecimento entre

as várias faculdades da UP


O conhecimento hoje faz-se em rede. No que respeita ao progresso da ciência, já ninguém duvida das vantagens da cooperação entre equipas multidisciplinares. A UP poderá sinalizar a importância que dá a essas colaborações multipolares galardoando, ou chamando a atenção, para artigos científicos reunindo autores de pelo menos 3 faculdades ou institutos diferentes. Se esses artigos envolverem também equipas estrangeiras, então será mesmo ouro sobre azul: sem financiamento europeu, a obter através do Programa 2020, a produtividade científica da UP irá seguramente decrescer no futuro próximo e nossa posição no ranking de Xangai baixar.

 

19.            Dia da UP a comemorar-se ao fim de semana e incluindo os

“Prémios do Reitor”

 
Confesso que estou cansado de todos os anos ter alunos a dizerem-me que têm a sua falta à última aula prática de Anatomia automaticamente justificada por “ter sido dia da universidade”. Trata-se de uma cerimónia que se realiza em dia de semana no salão nobre da reitoria. É iniciada por cortejo de professores em soturno traje académico, seguido de discursos de várias figuras da UP, ou a ela ligados, ou por ela convidados para a ocasião, sendo a última preleção da responsabilidade do Reitor. É um (talvez) interessante ato simbólico. No entanto, o dia da universidade não deve implicar a paragem de toda a UP durante um dia inteiro. É que a UP não cabe no salão nobre da sua reitoria. Se o dia da universidade passar a ser comemorado ao fim de semana, deixará este ato simbólico de causar entropia no funcionamento da universidade; quase dá vontade de proclamar “deixem-nos trabalhar”, como dizia um antigo acionista da SLN/BPN. O dia da UP também poderá servir para o Reitor anunciar e entregar os “Prémios do Reitor” àqueles que, por escolha pessoal do Reitor -- sejam pessoas, grupos de pessoas, etc, -- mereçam ser destacados perante a comunidade UP como paradigmas a aplaudir.


20.            Um desejo para o futuro, receber a mensagem seguinte do Reitor:


“Porque a UP ultrapassou claramente os objetivos propostos para este ano, a todos os seus funcionários será atribuído um bónus no fim do mês”.

2 comentários:

  1. Artur

    Li na diagonal mas:

    Ponto 2 - A UP merece um edificio da Reitoria mais moderno. Gosto do edificio actual, tem história mas é frio e como dizes longe do maior campus que é o da Asprela.

    Ponto 8 - Isentar de propinas como tal não se pode é ilegal, mas não deve ser ilegal dar bolsas ou prémios significativos.

    Ponto 7 - Precisamos de repensar os inquéritos pedagógicos e perceber o que está a acontecer.

    Ponto 11- Dar cor à UP, FANTÁSTICO!!!!! Iniciar uma nova tradição!!! MÁXIMO... APOIADO !!! 200%%%%

    Ponto 15- APOIADO, nomeadamente o que concerne a não afastar os reformados e jubilados.

    Ponto 19- Tenho mais uma sugestão - porque não fazer como:
    http://www.nyu.edu/life/events-traditions/commencement/ceremony.html

    Ok, gostei e apoio e continua a puxar pela cabeça.

    Prometo que vou ler o resto com mais calma!!!!

    abraço
    Corália

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  2. sobre o ponto 13:
    É melhor a reitoria entrar em contato direto com a Universidade de Pernambuco e Governo do Estado de Pernambuco e garantir que as relações de troca entre as instituições sejam proveitosas, que confiar no 3o setor, que quer administrar a Casa. O Conselho Geral da UPORTO precisa informar-se mais sobre a “Casa de Pernambuco” antes de legalizar a liberação do terreno. O belo e espaçoso edifício que fica situado no pólo do Campo Alegre, e está terminado desde há 4 anos, encontrando-se desocupado desde então, não foi construído pela generosa doação financeira do empresário brasileiro, de origem portuguesa, Senhor Zeferino Ferreira residente no Recife. A Casa foi construída com dinheiro público do Estado de Pernambuco e da Prefeitura do Recife e merece fiscalização. A UPORTO precisa urgentemente entrar em contato com as gestões públicas do Estado de Pernambuco e Universidade de Pernambuco para tratar melhor desta questão, valendo o que rege o projeto: o intercâmbio acadêmico, científico e cultural. Uma empresa privada, que se passa como Instituto, dizendo-se representar as instituições pernambucanas, não pode gerir um espaço construído com verba pública de outro país(Brasil) em solo público de portugal (UPORTO). A UPORTO futuramente terá que prestar conta desta decisão que envolve direito internacional. É preciso escutar estas instituições pernambucanas atualmente. Os estatutos foram assinados em 1996, as gestões mudaram neste quase 20 anos, as decisões não são estáticas, e a presidência de qualquer associação sem fins lucrativos não pode durar quase 20 anos ininterruptamente. É preciso averiguar papéis e verbas que entraram no país para a construção deste espaço. A UPORTO poderá ser responsabilizada por isso mais adiante.

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